Palavras de Jesus à Santa Faustina:
"Minha filha, não dês tanta atenção ao instrumento da graça, mas mais à própria graça que te concedo, porque o instrumento nem sempre te agrada, e aí também as graças falham. Quero prevenir-te quanto a isso e desejo que nunca dês atenção ao instrumento com que te envio a Minha graça. Que toda a atenção da tua alma se concentre no cuidado de responder o mais fielmente possível à Minha graça." (Diário n° 1599)
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sábado, 26 de novembro de 2011
OS 10 MANDAMENTOS DA SERENIDADE

1. Só por hoje tratarei de viver exclusivamente este meu dia, sem querer resolver os problemas da minha vida todos de uma vez.
2. Só por hoje terei o máximo cuidado com o meu modo de tratar os outros:
-delicado nas minhas maneiras
-não criticar ninguém
-não pretenderei melhorar ou disciplinar ninguém senão a mim.
3. Só por hoje me sentirei feliz com a certeza de ter sido criado para ser feliz não só no outro mundo, mas também neste.
4. Só por hoje me adaptarei às circunstâncias, sem pretender que as circunstâncias se adaptem todas aos meus desejos.
5. Só por hoje dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, lembrando-me que assim como é preciso comer para sustentar meu corpo, assim também a leitura é necessária para alimentar a vida da minha alma.
6. Só por hoje praticarei uma boa ação sem contá-la a ninguém.
7. Só por hoje farei uma coisa de que não gosto e se for ofendido nos meus sentimentos procurarei que ninguém o saiba.
8. Só por hoje farei um programa bem completo do meu dia. Talvez não o execute perfeitamente, mas em todo o caso, vou fazê-lo. E me guardareibem de duas calamidades: a pressa e a indecisão.
9. Só por hoje ficarei bem firme na fé de que a Divina Providência se ocupa de mim, mesmo se existisse só eu no mundo – ainda que as circunstâncias manifestem o contrário.
10. Só por hoje não terei medo de nada. Em particular, não terei medo de gozar do que é belo e não terei medo de crer na bondade.
João XXIII
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
O Diário de um Mártir
<< Hoje é o dia de São Padre André, um homem que com outros 116 foram martirizados na ásia por testemunharem a fé cristã, isso a menos de 300 anos. Na liturgia das horas destes santos lê-se uma carta de um deles, presos e já prontos para receber, de cabeça erguida a coroa do martírio. >>
Da Carta de Paulo Le Bao-Tinh aos alunos do Seminário de Ke-Vinh, de 1843
(Launay, A., Le clergé tonkiois et se prêtres martyrs, MEP, Paris, 1925, pp. 80-83)
(Séc.XIX)
A participação dos mártires na vitória de Cristo Rei
Eu, Paulo, preso pelo nome de Cristo, quero levar ao vosso conhecimento as minhas tribulações
cotidianas que me assaltam de todos os lados, para que, inflamados pelo amor de Deus, possais
louvá-lo, porque a sua misericórdia é eterna (Sl 117,1).
O meu cárcere é verdadeiramente uma imagem do fogo eterno. Aos cruéis suplícios de todo
gênero, como grilhões, algemas e ferros, juntam-se ódio, vingança, calúnias, palavrões,
acusações, maldades, falsos testemunhos, maldições e, finalmente, angústia e tristeza. Mas
Deus, que outrora libertou os três jovens da fornalha acesa, sempre me assiste e libertou-me
dessas tribulações, que se tornaram suaves, porque a sua misericórdia é eterna!
Graças a Deus, no meio desses tormentos que continuam a apavorar os outros, sinto-me alegre e
contente, pois não me julgo só, mas com Cristo. Nosso Mestre suporta todo o peso da cruz,
deixando-me apenas uma pequena e ínfima parte: não é só testemunha do meu combate, mas
combatente, vencedor e consumador de toda luta. Assim, sobre sua cabeça é que foi colocada a
coroa da vitória, de cujo triunfo participam também os seus membros.
Como, porém, Senhor, suportar tal espetáculo, ao ver diariamente os imperadores, os mandarins
e seus soldados blasfemarem vosso santo nome, quando estais acima dos querubins e serafins?
(cf. Sl 79,3). Eis que a vossa cruz é calcada pelos pagãos! Onde está a vossa glória? Ao ver tudo
isso, me inflamo por vós, preferindo morrer com os membros amputados, em testemunho do
vosso amor!
Mostrai, Senhor, o vosso poder, salvando-me e protegendo-me. Que a força se manifeste na
minha fraqueza e seja glorificada ante os gentios, pois, se eu vacilar no caminho, vossos
inimigos, cheios de orgulho, poderão levantar as cabeças.
Caríssimos irmãos, ao ouvirdes tudo isto, dai alegremente graças imortais a Deus, do qual
procedem todos os bens. Bendizei comigo o Senhor, porque a sua misericórdia é eterna! Minha
alma engrandeça o Senhor e meu espírito exulte de alegria em Deus, meu Salvador; porque
olhou para a humildade de seu servo (cf. Lc 1,46-48), todas as gerações me proclamarão
bendito, porque a sua misericórdia é eterna!
Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos, festejai-o (Sl 116,1),porque Deus
escolheu o que é fraco no mundo para confundir os fortes, e o que é vil e desprezível (1Cor
1,27-28), para confundir os nobres. Pelos meus lábios e inteligência, Deus confunde os
filósofos, os discípulos dos sábios deste mundo, porque a sua misericórdia é eterna!
Tudo isto vos escrevo, para unirdes à minha a vossa fé. No meio desta tempestade lanço a
âncora, a viva esperança que trago no coração, até ao trono de Deus.
Caríssimos irmãos, correi de tal modo que possais alcançar a coroa: revesti-vos com a couraça
da fé (1Ts 5,8), tomai as armas de Cristo, à direita e à esquerda, segundo os ensinamentos de
São Paulo, meu patrono. É melhor para vós entrar na posse da vida comum só olho ou
privados de algum membro (cf. Mt 5,29), do que serdes lançados fora com todos eles.
Vinde em meu auxílio com vossas preces, para que possa combater, segundo a lei, o bom
combate, e combater até o fim, encerrando gloriosamente a minha carreira. Se já não nos
podemos ver nesta vida, tal felicidade nos está reservada para o futuro, quando, junto ao trono
do Cordeiro imaculado, exultantes com a alegria da vitória, cantaremos em uníssono
eternamente os seus louvores. Assim seja.
sábado, 19 de novembro de 2011
No coração da Igreja serei o amor!

Meus imensos desejos eram um autêntico martírio. Fui, então, às cartas de São Paulo a ver
se encontrava uma resposta. Meus olhos caíram por acaso nos capítulos doze e treze da
Primeira Carta aos Coríntios. No primeiro destes, li que todos não podem ser ao mesmo tempo
apóstolos, profetas, doutores, e que a Igreja consta de vários membros; os olhos não podem ser
mãos ao mesmo tempo. Resposta clara, sem dúvida, mas não capaz de satisfazer meu desejo e
dar-me a paz.
Perseverei na leitura sem desanimar e encontrei esta frase sublime: Aspirai aos melhores
carismas. E vos indico um caminho ainda mais excelente (1Cor 12,31). O Apóstolo esclarece
que os melhores carismas nada são sem a caridade, e esta caridade é o caminho mais excelente
que leva com segurança a Deus. Achara enfim o repouso.
Ao considerar o Corpo místico da Igreja, não me encontrara em nenhum dos membros
enumerados por São Paulo, mas, ao contrário, desejava ver-me em todos eles. A caridade deu-
me o eixo de minha vocação. Compreendi que a Igreja tem um corpo formado de vários
membros e neste corpo não pode faltar o membro necessário e o mais nobre: entendi que a
Igreja tem um coração e este coração está inflamado de amor. Compreendi que os membros da
Igreja são impelidos a agir por um único amor, de forma que, extinto este, os apóstolos não
mais anunciariam o Evangelho, os mártires não mais derramariam o sangue. Percebi e
reconheci que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo, abraça todos os
tempos e lugares, numa palavra, o amor é eterno.
Então, delirante de alegria, exclamei: Ó Jesus, meu amor, encontrei afinal minha vocação:
minha vocação é o amor. Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, tu me deste este lugar, meu
Deus. No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor e desse modo serei tudo, e meu desejo
se realizará.
Santa Terezinha
Da Autobiografia de Santa Teresa do Menino Jesus, virgem e Doutora
(Manuscrits autobiographiques, Lisieux1957,227-229)
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
terça-feira, 15 de novembro de 2011
sábado, 21 de maio de 2011
CONFISSÕES Parte I - Sto. Agostinho
incomensurável tua sabedoria. E o homem, pequena parte de tua criação quer louvar-te, e
precisamente o homem que, revestido de sua mortalidade, traz em si o testemunho do pecado e a
prova de que resistes aos soberbos. Todavia, o homem, partícula de tua criação, deseja louvar-te.
Tu mesmo que incitas ao deleite no teu louvor, porque nos fizeste para ti, e nosso coração está
inquieto enquanto não encontrar em ti descanso.
Concede, Senhor, que eu bem saiba se é mais importante invocar-te e louvar-te, ou se
devo antes conhecer-te, para depois te invocar. Mas alguém te invocará antes de te conhecer?
Porque, te ignorando, facilmente estará em perigo de invocar outrem. Porque, porventura, deves
antes ser invocado para depois ser conhecido? Mas como invocarão aquele em que não crêem?
Ou como haverão de crer que alguém lhos pregue?
Com certeza, louvarão ao Senhor os que o buscam, porque os que o buscam o encontram
e os que o encontram hão de louvá-lo.
Que eu, Senhor, te procure invocando-te, e te invoque crendo em ti, pois me pregaram teu
nome. invoca-te, Senhor, a fé que tu me deste, a fé que me inspiraste pela humanidade de teu
Filho e o ministério de teu pregador.
Confissões, Santo Agostinho, doutor
domingo, 3 de abril de 2011
Princípio e fundamento
Princípio e fundamento (EE 23)
O ser humano é criado para louvar,
reverenciar e
servir a Deus Nosso Senhor
e, assim, salvar-se.
As outras coisas sobre a face da terra
As outras coisas sobre a face da terra
são criadas para o ser humano e
para o ajudarem a atingir
para o ajudarem a atingir
o fim para que é criado.
Daí se segue que ele deve usar das coisas
Daí se segue que ele deve usar das coisas
tanto quanto o ajudam para atingir o seu fim,
e deve privar-se delas tanto quanto o impedem.
Por isso é necessário fazer-nos indiferentes
e deve privar-se delas tanto quanto o impedem.
Por isso é necessário fazer-nos indiferentes
a todas as coisas criadas,
em tudo o que é permitido à vossa livre vontade
e não lhe é proibido.
De tal maneira que, de nossa parte, não queiramos
e não lhe é proibido.
De tal maneira que, de nossa parte, não queiramos
mais saúde que enfermidade,
riqueza que pobreza,
riqueza que pobreza,
honra que desonra,
vida longa que vida breve,
e assim por diante em tudo o mais,
e assim por diante em tudo o mais,
desejando e escolhendo somente
aquilo que mais nos conduz ao fim para que somos criados.
(Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola)
Olhe Mais:
Exercícios espirituais,
Santo Inácio,
Tesouro Espiritual
sexta-feira, 1 de abril de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
Benção de Santa Clara
“O Senhor te abençoe e te proteja! Faça resplandecer sobre ti a sua face e te dê a sua misericórdia! Volte para ti o seu olhar e te dê a paz! Derrame sobre ti as suas bênçãos e no céu te coloque entre santos e santas! O senhor esteja sempre contigo e que tu estejas sempre com Ele!”
(Benção de Santa Clara)
terça-feira, 15 de março de 2011
Os Frutos da Palavra de Deus
Isto diz o Senhor:
| "Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não volvem sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim a palavra que sair de minha boca, não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la." (Isaías 55,10-11) | ||
sábado, 12 de março de 2011
"ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS"
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa , que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa , que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido,
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se nasce para a vida eterna...
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido,
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se nasce para a vida eterna...
quinta-feira, 10 de março de 2011
A oração é a luz da alma
A oração, o diálogo com Deus, é um bem incomparável, porque nos põe em comunhão íntima com Deus. Assim como os olhos do corpo são iluminados quando recebem a luz, a alma que se eleva para Deus é iluminada por sua luz inefável. Falo da oração que não é só uma atitude exterior, mas que provém do coração e não se limita a ocasiões ou horas determinadas, prolongando-se dia e noite, sem interrupção.
Com efeito, não devemos orientar o pensamento para Deus apenas quando nos aplicamos à oração; também no meio das mais variadas tarefas - como o cuidado dos pobres, as obras úteis de misericórdia ou quaisquer outros serviços do próximo - é preciso conservar sempre vivos o desejo e a lembrança de Deus. E assim, todas as nossas obras, temperadas com o sal do amor de Deus, se tornarão um alimento dulcíssimo para o Senhor do universo. Podemos, entretanto, gozar continuamente em nossa vida do bem que resulta da oração, se lhe dedicarmos todo o tempo que nos for possível.
A oração é a luz da alma, o verdadeiro conhecimento de Deus, a mediadora entre Deus e os homens. Pela oração a alma se eleva até aos céus e une-se ao Senhor num abraço inefável; como uma criança que, chorando, chama sua mãe, a alma deseja o leite divino, exprime seus próprios desejos e recebe dons superiores a tudo que é natural e visível.
A oração é venerável mensageira que nos leva à presença de Deus, alegra a alma e tranqüiliza o coração. Não penses que essa oração se reduza a palavras. Ela é desejo de Deus, amor inexprimível que não provém dos homens, mas é efeito da graça divina, como diz o Apóstolo: Nós não sabemos o que devemos pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis (Rm 8,26).
Semelhante oração, quando o Senhor a concede a alguém, é uma riqueza que não lhe pode ser tirada e um alimento celeste que sacia a alma. Quem a experimentou inflama-se do desejo eterno de Deus, como que de um fogo devorador quê abrasa o coração.
Praticando-a em sua pureza original, adorna tua casa de modéstia e humildade, torna-a resplandecente com a luz da justiça. Enfeita-se com boas obras, quais plaquetas de ouro, ornamenta-se de fé e de magnanimidade em vez de paredes e mosaicos. Como cúpula e coroamento de todo o edifício, coloca a oração. Assim prepararás para o Senhor uma digna morada, assim terás um esplêndido palácio real para o receber, e poderás tê-lo contigo na tua alma, transformada, pela graça, em imagem e templo da sua presença.
Das Homílias do Pseudo-Crisóstomo
(Supp., Hom. 6 de precatione: PG 64,462-466)
(Séc. IV)
segunda-feira, 7 de março de 2011
...Chega aos confins do universo a sua voz...
"Os céus proclamam a glória do Senhor,
e o firmamento, a obra de suas mãos;
o dia ao dia transmite esta mensagem,
a noite à noite publica esta notícia.
Não são discursos nem frases ou palavras,
nem são vozes que possam ser ouvidas;
seu som ressoa e se espalha em toda a terra,
chega aos confins do universo a sua voz." (Sl 18, 2-5)
sábado, 5 de março de 2011
Tesouro de João da Cruz
quinta-feira, 3 de março de 2011
Testemunha Interior | São Gregório Magno
Testemunha interior
Quem é escarnecido por seu amigo, como eu, invocará a Deus que o atenderá. Com
freqüência o espírito fraco, ao receber o bafejo da fama humana por suas boas ações,
deixa-se levar para as alegrias exteriores, chegando a interessar-se menos pelo que
deseja interiormente. Deleita-se, então, languidamente no que ouve de fora. Alegra-se
mais por ser chamado de bem-aventurado do que por sê-lo de fato. Esperando com
avidez as palavras de elogio, abandona o que começara a ser. Separa-se de Deus
justamente naquilo que deveria ser louvado em Deus.
Às vezes, ao contrário, o homem firma-se com constância no agir reto e, no entanto, é
maltratado pelas zombarias humanas. Faz coisas admiráveis e só encontra opróbrios.
Podendo exteriorizar-se pelos louvores, é repelido pelas afrontas e volta-se para dentro
de si mesmo. Em seu íntimo, enche-se de tanto maior força em Deus quanto não
encontra fora onde repousar. Fixa toda a sua esperança no Criador e, entre as zombarias
ruidosas invoca sua única testemunha, a interior. Torna-se assim o espírito aflito, tanto
mais próximo de Deus quanto mais estranho aos aplausos humanos. Expande-se sem
cessar em oração e, premido no exterior, com mais nitidez se purifica para penetrar nos
bens interiores. É com razão, pois, que aqui se diz: Quem é escarnecido pelo amigo,
como eu, invocará a Deus que o atenderá, porque quando os maus censuram a intenção
dos bons, revelam que testemunha desejam para seus atos. O espírito ferido mune-se de
força pela oração e alcança ouvir dentro de si as palavras do alto por ter-se separado do
louvor humano.
É de notar a justeza do inciso: como eu; pois há alguns que são depreciados pelas
críticas humanas, mas que não são atendidos pelos ouvidos divinos. Porque a zombaria
provocada pela culpa não importa em nenhum mérito da virtude.
Ri-se da simplicidade do justo: a sabedoria deste mundo está em esconder as
maquinações do coração, velar o sentido das palavras, mostrar como verdadeiro o que é
falso, demonstrar ser errado aquilo que é verdadeiro.
Pelo contrário, a sabedoria dos justos consiste em nada fingir por ostentação; declarar o
sentido das palavras; amar as coisas verdadeiras tais como são; evitar as falsas; fazer o
bem gratuitamente; preferir tolerar de bom grado o mal a fazê-lo; não procurar vingança
contra a injúria; reputar lucro a afronta, em bem da verdade. Zomba-se, porém, desta
simplicidade dos justos porque para os prudentes deste mundo a virtude da pureza de
coração é tida por loucura. Tudo quanto se faz com inocência,eles reputam tolice e
aquilo que a verdade aprova nas ações, soa falso à sabedoria humana.
Dos Livros “Moralia” sobre Jó, de São Gregório Magno, papa
sábado, 19 de fevereiro de 2011
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